Os cozinheiros autodidactas que chegaram aos fogões por obra do acaso,
costumam incluir entre o rol das suas influências, memórias de pratos
que avós e mães faziam no seu quotidiano e, sobretudo, nos domingos e
dias de festas.
Muitos destes confessam que é desses cheiros e
sabores que andam à procura no seu dia a dia de cozinheiros. O mesmo se
passa, aliás, um pouco com todos aqueles que comem distraídos e que
valorizam a mesa como um lugar de prazer e de cultura.
Rogélio Cabrita Jorge é um caso desses casos de vocação para cozinha,
lugar onde chegou levado pelos lances da vida. E foi lá fora que
Rogélio se lançou na aventura da restauração e com tais resultados,
que, quando se decidiu pelo regresso à sua terra, a sua profissão de
técnico de automóveis estava definitivamente enterrada. Tinha nascido
um cozinheiro fiel às suas memórias de menino criado no Barrocal
Algarvio, temperadas com novos conhecimentos culinários adquiridos nas
suas deambulações pelo mundo. A ementa do Moiras Encantadas -
restaurante bem posto, de sala maneirinha com arcos ogivais tecto
abobadado e paredes de pedra à vista - reflecte aqueles dois momentos
da aprendizagem de Rogélio.